J. Lucio D'Azevedo. Historia de Antonio Vieira. Tomo Primeiro. (Lisboa: Livraria Clássica Editora, 1918): 55.

«A 27 de fevereiro [1641] Vieira deixou a Bahia, quasi sua patria, que só quarenta annos mais tarde tornaria a ver, para então nella terminar sua carreira e a vida. A viagem, de começo venturosa, foi quasi no fim perturbada por valente temporal. Esteve a nau a ponto de sossobrar; já fazendo agua, foi necessario allivia-la do batel, da artilharia e aguada. É de crer ficasse tambem maltratada na mastreação e velame, porque divisando a costa, não procurou a barra de Lisboa, e aportou como logar mais proximo a Peniche. Era aos 28 de abril. Ahi esperava os passageiros outra tempestade, a da furia popular. Espalhando-se voz que entre elles se encontrava um dos Montalvões, dos quaes dois se tinham bandeado com Castella, e a mãe se achava presa por suspeita de traição no Castello de Arraiolos, a gente da villa, tendo tambem a este por traidor, aggrediu-o ao desembarcar e tentou mata-lo. Acudiu a tempo o governador da praça, Conde de Atouguia, que o recolheu em sua casa prisioneiro. Presos ficaram tambem os dois padres, até que no dia seguinte, desfeitas as desconfianças, partiram todos para Lisboa».